Ficha limpa, segundo turno, CNBB, Congregação das Igrejas Evangélicas do Brasil, não. Nada chamou mais a atenção nessas eleições que o recordista de votos Francisco Everardo Oliveira Silva, vulgo “Tiririca”.
Popularidade? Voto de protesto? Esperança? O que motivou 1,35 milhões de brasileiros de um único Estado a apostar nesse candidato? Seu passado político? Sua história de vida e seu passado pobre? A fome? Não. Não podemos confundir o candidato eleito com a figura do “herói Marxista”. Esse papel já tem dono: Marina Silva.
Foi tudo uma grande piada da qual rimos de nós mesmos.
Somente nos despindo dos preconceitos podemos analisar a escolha desse homem. Feito isto, o que sobra? Suas piadas, seu português frágil, sua semelhança com milhares de brasileiros? Ainda conseguiremos rir de suas piadas no Congresso Nacional?
Antes mesmo de ser empossado, Tiririca brindou o cenário político nacional com o que há de mais ultrajante: seus votos elegeram Valdemar da Costa Neto que, para quem não se lembra tem em seu currículo o escândalo do mensalão e teve seu nome citado nas investigações da Operação Castelo de Areia.
No Brasil, o voto direto foi uma bandeira importante na luta contra a ditadura militar instituída pelo golpe de 1964, conquistado a base de muito suor e sangue. Foi tudo em vão? Ou seria expressão da democracia conquistada? Nós nos amordaçamos intelectualmente. Não se protesta dessa forma. Desistimos de lutar com tão pouco tempo de democracia.
No fim, se Florentina rimará com pizza, improbidade administrativa e corrupção só o tempo dirá.